O Fotógrafo de Mauthausen: por que todo fotógrafo deve assistir?

Para quem deseja uma visão além dos livros de história sobre o que aconteceu na Segunda Guerra Mundial — um período histórico que ficou marcado pelo massacre de judeus e grupos não hegemônicos, como pretos e homossexuais — pela Alemanha e seus aliados simpatizantes do Movimento Nazista, vale a pena assistir O fotógrafo de Mauthausen, filme de 2018, produzido pela Netflix e disponível no catálogo para seus assinantes.

A história, que se baseia em um caso real, fala de um fotógrafo que resolveu usar sua principal habilidade para contar os terrores vividos por milhões de pessoas no período de 1941 a 1945, em Mauthausen, um campo de concentração austríaco. Trata-se de Francisco Boix, um espanhol, militante do Partido Comunista na Espanha, que virou prisioneiro e foi um dos sobreviventes da guerra.

Se você é fotógrafo, vale a pena conhecer essa obra! Continue a leitura para conhecer mais sobre a obra e também um resumo de O fotógrafo de Mauthausen!

A história

Naturalmente, o filme se passa no campo de Mauthausen, que fica na Áustria. Ali, havia um grupo de 85 mil prisioneiros. O campo de concentração foi um dos primeiros do período nazista e, ainda assim, foi um dos últimos a ser liberado pelos aliados, que venceram a guerra.

Diferentemente da maioria dos campos, Mauthausen reunia pessoas consideradas importantes, das mais diversas nacionalidades. É como se fosse uma cela especial, destinada a indivíduos com alto grau de escolaridade, embora tivessem que cumprir as mesmas atividades exaustivas dos demais espaços.

Estrelado por Mario Casas, ator espanhol conhecido por estrelar o filme “O contratempo” e a minissérie “O inocente”, que dá a vida a Boix, o protagonista é o fotógrafo que nomeia o trabalho. Nele, o personagem é um soldado que lutou na Guerra civil espanhola. Ao chegar na prisão, foi delegada a atividade de auxiliar as revelações fotográficas na sala escura.

Naquela época, os registros eram realizados para comprovar o trabalho feito nos campos. Nas imagens, era comum encontrar um storytelling, que abrangia desde o dia a dia de trabalho dos prisioneiros até os métodos de tortura utilizados.

A revelação das fotografias era responsabilidade de quem estava encarcerado. Foi assim que Boix se destacou, já que já era familiarizado ao processo e ao uso da câmera analógica. O fotógrafo foi conquistando a confiança dos militares, até ser solicitado para registrar eventos dos generais nazistas — tanto que até o equipamento profissional foi cedido por eles.

É nesse cenário que o filme começa. No entanto, descobre-se que a derrota da Alemanha para os aliados é iminente e Hitler ordena a queima de arquivo, ou seja, a destruição de todos os registros fotográficos. A intenção era clara: dificultar a comprovação das inúmeras barbáries cometidas durante os últimos anos.

Boix, então, se junta a outros prisioneiros para salvar algumas das fotografias, para expô-las no futuro e levar os responsáveis para a prisão. Para quem quiser se aprofundar na história, vale a pena buscas por fotos reais de O fotógrafo de Mauthausen. Há também vídeos no YouTube com o depoimento de alguns prisioneiros, sendo Boix um deles. Alerta de spoiler: ele consegue, sim, salvar algumas! O enredo se desenrola mostrando como ele se esforça para cumprir esse objetivo.

Por que assistir?

A fotografia do longa-metragem é uma obra-prima à parte. Ela espelha a tristeza e angústia presente em um lugar como um campo de concentração. A reconstituição do lugar chama a atenção pelo realismo e dá a quem assiste a sensação de ter vivenciado o mesmo sofrimento que aqueles que morreram ali.

Parte disso vem dos tons usados. Ao assistir, percebe-se que o cenário sempre se apresenta em tons acinzentados, refletindo a melancolia. Para quem vê, esses aspectos podem passar despercebidos, mas para os profissionais de imagem, são detalhes fundamentais que reforçam uma ideia por trás do clique.

Essa sensibilidade, naturalmente, pertence a quem tem mais familiaridade e não olha para fotografia apenas como um passatempo. Visto que a história de O fotógrafo de Mauthausen é real, vale a pena olhar para esse trabalho com mais empatia e nobreza, contemplando alguém que usou o ofício da fotografia para honrar a morte de milhões de pessoas.

Quais reflexões o filme traz para a profissão?

Além da questão histórica e social, a principal mensagem que O fotógrafo de Mauthausen traz está relacionada a importância que a fotografia tem para a História. Não são apenas registros que servirão para serem vendidos e ilustrar livros didáticos. No caso do filme, é evidenciado que uma imagem serve para compor um caso jurídico, que vai punir culpados por crimes que afetaram milhares de famílias.

Vale destacar que as imagens exibidas no longa são reais, ou seja, são as mesmas utilizadas como provas para condenar os oficiais do alto escalão nazista. Em relação à técnica, na fotografia do filme, percebe-se o uso mais marcante de tons sépia, acinzentados, que retratam o medo e o terror da época.

Embora pareça óbvio para alguns, realizar esse tipo de edição é fundamental para a foto ganhar mais significado. Cabe ao profissional de fotografia identificar quando reforçar traços e quando modificar outros, que impactem diretamente no resultado ou na ideia que se quer passar para quem visualiza.

Apesar de ser difícil de ver por estarem associadas a tamanha tragédia, ter registros da Segunda Guerra Mundial não apenas favoreceu um julgamento justo contra os algozes da época, mas a retratação de um dos maiores eventos históricos do último século.

Ainda que falte estômago para vê-las, é essencial haver alguém capacitado nesses momentos, para registrar para a posteridade, para emprestar seu olhar artístico e sensível, captando a dor, o sofrimento e a particularidade de cada pessoa na frente da lente.

O fotógrafo de Mauthausen é um filme obrigatório não só para quem trabalha na área da fotografia, mas para todo mundo que aprecia drama e quer saber mais sobre fatos históricos. A visão do longa, focada na preservação das imagens para uso posterior, fornece uma ótica, no mínimo, peculiar desse acontecimento. Vale a pena ver!

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